1.3.08

os lusíadas


os lusíadas é um poema épico, dividido em dez cantos, que tem por temas a viagem de vasco da gama em busca do caminho marítimo para a índia e a história portuguesa, desde a luta contra os mouros invasores até a consolidação do estado luso e as grandes navegações. o assunto é a viagem de um herói, símbolo de um povo glorioso, á mercê dos deuses do olímpio, que estão divididos sobre apoiá-lo ou não em sua destemida jornada. nas primeiras estrofes conta-se a intenção do poema que é celebrar os feitos lusitanos, navegações e conquistas; a invocação às ninfas do tejo (tágides) para que dêem inspiração e uma dedicatória ao rei d. sebastião. a partir da estrofe dezenove começa a narração da história propriamente dita onde acontece o concílio dos deuses sobre a ousada decisão dos portugueses: devem favorecê-los ou impedi-los? júpiter é favorável; baco, ferreamente contrário; também são a favor marte e vênus, esta nos Portugueses vendo a raça latina descendente de seu filho enéias. baco, derrotado na assembleia divina, põe em acção a sua hostilidade contra os lusos, procurando impedir que cheguem à sua Índia, e para isto se valendo da gente africana, que lhes arma ciladas. chegando a mombaça, onde continuam as hostilidades de baco na traição dos mouros: os navegadores seriam sacrificados se acedessem ao pérfido convite do rei para desembarcarem. vênus, porém, de novo os salva, intercedendo junto a júpiter. e júpiter profetiza os gloriosos feitos lusíadas no oriente, e envia mercúrio a melinde, a fim de predispor os naturais desta cidade a bem acolherem os portugueses, o que se cumpre. o rei de melinde pede ao gama lhe narre a história de portugal. ele conta e encanta o povo de melinde, onde fazem uma festas aos lusos e partida da frota para calecute. baco junta-se a neptuno, no fundo dos mares e arma armadilhas para os lusos. enquanto que fernão veloso narra o episódio dos doze de inglaterra para distrair a monotonia de bordo. começa uma tempestade provocada pelo insidioso baco, com nova intervenção de vênus, que amaina o furor dos ventos. chegada a calecute , ação de graças do gama e elogio da verdadeira glória. chegando à Índia. elogio de portugal pelo poeta. encontro com o mouro monçaide, que descreve a índia. portugueses são recebidos pelo regente dos reinos, catual e o samorim. trocam de gentilezas e informações. paulo da gama, irmão de vasco, narra ao catual a história dos heróis portugueses (luso, ulisses, viriato, sertório, d. henrique, afonso henriques, egas moniz, etc.). baco insiste na perseguição, instigando em sonhos os chefes dos nativos. hostilidades, retenção do gama em terra, que só se liberta a poder de dinheiro, o poder corruptor do vil metal. retenção de álvaro e diogo, portadores da fazenda, mero pretexto para deterem-se os descobridores europeus. por fim, libertados, recolhem às naus que preparam a volta à pátria. vênus resolve premiar os heróis com prazeres divinos: a Ilha dos amores e seu simbolismo. na Ilha dos amores canta uma ninfa as profecias de proteu. nova invocação do poeta a calíope, que permita condigna conclusão do poema. relembrança das profecias da ninfa; glórias futuras de Portugal no oriente. tétis mostra ao gama a máquina do mundo, como a viu ptolomeu céus e terras, com destaque para a Ilha de são tomé. partida da Ilha dos amores e regresso a portugal. quase no final o poeta termina com um desalento pelo cantar a gente surda e endurecida e a fala final a d. sebastião e conclusão do poema.

15.1.08

cesário verde


cesário verde foi “repórter” do quotidiano de lisboa que registou em palavras como se fosse pintor, técnico de som, turista, gastrónomo, (sensações gustativas, olfactivas, tácteis). o seu registo é realista, dá atenção aos objectos, às linhas, ao movimento, ao ruído… decompondo e recompondo, os cenários e as personagens. a sua obra é atravessada por bipolaridades: cidade e campo, noite e dia, ricos e pobres, trabalhadores e ociosos, natural e artificial, fechado e aberto… as mulheres por exemplo são “milaidys” frágeis ou rapariguinhas franzinas e subalimentadas ou peixeiras hercúleas (peixeiras muito gordas e fortes). a linguagem de cesário verde traz nela o quotidiano, o registo familiar, o concreto, o coloquial. ele adopta uma atitude anti-sentimental e em certos casos, essa pulsação vital, o encantamento por estar vivo, a maravilha dos cheiros, das cores, do trabalho e das trocas cosmopolitas do porto. em certos casos contrasta com a morbidez de certos ambientes e personagens. a cidade é também um ogre insaciável devorador de vidas e produtos de dia e de noite. à noite a ilusão do sub-mundo. coexistem a nostalgia da infância de um mundo pacato e rústico e a atracção pela vertigem do progresso tecnológico, pela urbanização, pela globalização e pelos ritmos velozes sobre a pressão do lucro.

11.12.07

consumismo


o consumismo é algo que invadiu completamente os nossos dias. por muito que não se queira ser materialista, ou um consumista disparatado, é algo incontrolável. é complicado na medida em que toda a gente nos acaba por impingir coisas, mesmo que não queiramos, inicialmente, fruto da repetição e insistência, acabamos por ceder... o consumismo esta espalhado por todo o lado. na publicidade auditiva, através do radio, televisão, publicidade visual, através das montras, lojas, cartazes, placards, painéis, etc... mesmo que não queiramos ser materialistas, nem esbanjadores, nem consumistas a publicidade entra-nos pelos olhos involuntariamente, pois esta espalhada por todo o lado.

29.11.07

fernando girão


o que aguenta o mundo! os alquimistas trabalham por intuição, não tem forçosamente as coisas arrumadas por ordem. ao estarem em ligação com Deus agem comandados por impulsos de um plano superior. as coisas que são necessárias aparecem no momento certo. neste momento que a humanidade atravessa são poucos os alquimistas. alguns estão no estado inicial e o tempo dirá quantos conseguirão atingir o estado supremo. já não sofrem como nós, vêem a dor como parte do processo cósmico da vida, entendem os princípios da essência. falam com a vida naturalmente, não inventam rodeios, vão direitos ao ponto que merece ser analisado. por um lado, ainda são humanos, por outro estão noutra dimensão, numa frequência diferente da nossa, é como se vivessem aqui e “lá” ao mesmo tempo. são iluminados a quem Deus concedeu o direito de serem irmãos da natureza e com ela trabalham em harmonia. são pessoas que vivem num mundo à parte, concentradas no equilíbrio geral. os alquimistas são senhores de uma arte antiga, os cientistas de Deus, que dia e noite aperfeiçoam a sua arte divina, cientes da sua missão. no silêncio dos seus secretos laboratórios fazem poções mágicas, transformam a matéria, inventam o outro da alma, o “el dorado” dos sentidos. e aquilo que fazem nos seus quartos escondidos é o que ainda nos faz lutar, é o que ainda faz girar o mundo.

16.11.07

artistas


dentro do meio artistico da pintura e arquitectura, temos alguns artistas fascinantes sobre os quais podemos verificar um grande contraste tendo em conta o tempo em que viveram. dentro dos contemporaneos, entre eles o arquitecto troufa real, o pintor ernesto neves, amadeu de sousa cardoso, frida kahlo... podemos verificar que vivem da arte. enquanto a artistas classicos, tais como salvador dali, rembrandt, vermeer, peter paul rubens... sao artistas que passaram algumas dificuldades enquanto vivos. antigamente os artistas tinham de complementar a sua vida com outros empregos para sobreviverem, pois a pintura não era suficiente. hoje em dia segundo alguns críticos podemos verificar que os artistas contemporaneos vivem da arte, sem grandes dificuldades.

10.11.07

fernando pessoa


abarcar a poesia de pessoa, o poeta de múltiplas personalidades, é uma tarefa complicada e árdua. tanto a extensão da sua obra, como a heterogeneidade das diferentes personalidades que a assinam, dificultam uma aproximação singela ao verdadeiro pessoa, que não é senão a soma de todos os seus desdobramentos. poeta sem comparação, encontra-se entre os maiores do século passado e é considerado por muitos o melhor que portugal teve para oferecer desde camões, e também um dos mais idiossincrásicos desta terra, cuja vigência permanece inalterável ao longo dos anos. o lisboeta universal é, no entanto, um estranho para os admiradores e biógrafos, pois mal se conhecem dados sobre a vida pessoal. “não conheço outra vida de escritor tão carente, como tampouco outra que haja sido tão transfigurada pela arte”, diria robert bréchon no prefácio da sua biografia de fernando pessoa, “estranho estrangeiro”. o seu carácter solitário e retraído garante-lhe, desde a juventude, poucos amigos, poucos amores e pouco reconhecimento, ainda que este último não somente lhe fosse indiferente, como nutria por ele forte desprezo. a fama era para ele ”uma coisa para actrizes e produtos farmacêuticos”. os seus maiores vícios foram a bebida e o fumo. também sabemos que era um apaixonado do ocultismo e astrologia, que estudou a cabala e se interessou vivamente pelo misticismo judeu e a maçonaria. a sua educação britânica aproximou-o dos clássicos da literatura anglo-saxónica, que devorou na sua adolescência, e foi muito mais tarde que abordou os autores nacionais. em 1912, publica pela primeira vez em português vários poemas na revista águia. alguns anos depois será, junto com o seu amigo mário de sá carneiro, o porta-estandarte de movimentos de vanguarda no país como o modernismo ou o futurismo. a criação dos seus célebres heterónimos constituiu um dos mais singulares rasgos da personalidade pessoana. a sua origem remonta à meninice do poeta, pois só contava seis anos quando começou a corresponder-se com um tal chevalier de pás, produto da sua fértil imaginação, ao que se seguiu outro chamado alexander shearch. reservado e incapaz de adaptar-se, pessoa aproxima-se da vida através dos seus heterónimos, nos quais desenvolve as múltiplas facetas de seu “eu”, dos outros “eu”, que albergam um extenso e complexo leque de pensamentos e atitudes vitais. os mais importantes: alberto caeiro, álvaro de campos e ricardo reis, foram construídos com tal perfeição que até escreveu as suas biografias.

amadurecimento


Era uma vez um rapazinho que tinha mau génio. O pai deu-lhe um saco com pregos e disse-lhe que cada vez que ele perdesse a cabeça devia pregar um prego nas traseiras da vedação. No primeiro dia o rapaz pregou trinta e sete pregos na vedação! Ao longo das semanas seguintes, à medida em que foi sendo capaz de controlar o seu mau temperamento, o número de pregos que teve de pregar foi sendo cada vez menor. Ele descobriu que era mais fácil controlar o seu mau génio do que pregar pregos na vedação. Finalmente, chegou o dia em que o rapaz jamais perdia a cabeça e foi dizer ao pai. Então o pai mandou que tirasse um prego por cada dia que fosse capaz de manter a tranquilidade até à noite. O tempo passou… até que chegou o dia em que ele disse ao pai que já tinha retirado todos os pregos. Então, o pai pegou-lhe na mão e levou-o até as traseiras. Procedeste muito bem, meu filho, mas olha lá para os buracos que ficaram nas tábuas. A vedação nunca mais será a mesma. quando disseres coisas por estares zangado, elas deixam cicatrizes como estas. Podes espetar uma faca em alguém e depois tirá-la. Não interessa que digas – ó desculpe lá! A ferida fica. Ora uma ferida verbal é tão má como uma ferida física. Os amigos são, em verdade, muito raros. Eles fazem-nos sorrir e encorajam a que nós tenhamos sucesso. Ouvem-nos, partilham palavras de encorajamento que facilita a ultrapassagem disso e estão sempre disponíveis para abrir-nos o seu coração.